domingo, 23 de janeiro de 2011

tudo estava calado. Mudo.
Salvo a fome na noite.
Louco. Ele caminhava loucamente
Pela estrada, mas era noite ainda. Noite.
Parou. Olhou para os duendes que o seguiam
E ateou cigarro a teu fogo.
Seu cérebro já se contorcia ao ouvir
as flores conversarem.
Notou a lua como um comprimido
e por certo a tomou. Calmo.
Suas pernas enraizavam velas
por todo o solo sagrado.
Adentrou-se no cemitério.
A coruja o levou até o tumulo
do desconhecido prazer. Obsoleto.
Os fantasmas ainda o temiam
e seus braços brotavam como asas.
Estranho. Diante e tão singela
catacumba, rodeado de cogumelos,
a cruz mostrou-lhe as horas.
Estava ele comumente perdido,
perante seu passado.
E as flores se calaram. A coruja também.
Os fantasmas se resguardaram.
Todos, menos um.
E então, ele, perante tão inusitado momento,
olhou para o semblante.
E então ajoelhou-se, abaixou-se suas loucas cabeças
e chorou.

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